Casa de Custódia de Curitiba promove atividades educativas de combate à violência contra a mulher 13/03/2026 - 15:14

Em alusão ao Dia Internacional da Mulher, 43 alunos da fase I do Ensino de Jovens e Adultos (EJA) da Casa de Custódia de Curitiba (CCC) participaram de ações educativas voltadas ao combate à violência de gênero. Os participantes, homens privados de liberdade, engajaram-se em momentos de reflexão sobre o papel masculino na sociedade.

A iniciativa, proposta pelo setor de Pedagogia da unidade, incluiu a exibição do documentário O Silêncio dos Homens, obra que aborda a prepotência sobre os corpos femininos — comportamento associado a uma cultura historicamente patriarcal e machista.

Após a sessão, os custodiados debateram a violação de direitos e as raízes do preconceito e produziram painéis educativos, que serão expostos futuramente na CCC, visando conscientizar o restante da população carcerária e disseminar uma cultura de respeito mútuo.

“A Casa de Custódia de Curitiba apoia e valoriza estas ações, pois reconhece que o ensino e a autocrítica são fundamentais para transformar mentalidades”, destacou o diretor da unidade, Sérgio Carlos Monteiro da Rocha. “Ao promovermos o debate, preparamos o caminho para o retorno destes indivíduos à sociedade com uma nova visão de mundo”, completou.

O Dia Internacional da Mulher vai além das homenagens; representa um chamado à ação contra estruturas que sustentam a agressão. Intensificar o diálogo sobre o tema contribui para desarticular argumentos que reforçam comportamentos abusivos, favorecendo uma convivência baseada na proteção e equidade.

A pedagoga Dorotéa Pascnuki Szenczuk, que atua na unidade, ressaltou o protagonismo dos alunos: “Alinhado à função social da escola e com rigor pedagógico, o projeto contou com a participação ativa dos custodiados. Após assistirem ao documentário, eles ocuparam espaços de fala para discutir a masculinidade como construto social. Mais do que punir, buscamos educar para a igualdade, reafirmando o ensino como ferramenta essencial de segurança pública”, afirmou.

“Atividades pedagógicas que fomentam reflexões sobre nossas concepções e ações permitem a concretização do maior objetivo do tratamento penal, que é a reinserção ao meio social da PPL. O objetivo comum da escola e da Secretaria da Segurança Pública do Paraná é devolver à sociedade um sujeito transformado, capaz de agir com responsabilidade, ética e compromisso social”, explicou a pedagoga Marielci Barbur.

De acordo com a docente Denise Tavares, enfrentar esse cenário exige reconhecer a relação direta entre o preconceito estrutural e os índices de feminicídio. Ela explica que a mudança começa na fala, mas se concretiza na atitude diária: “É urgente promover a educação para a superação do machismo que encarcera homens, viola direitos de meninas e, tragicamente, resulta em mortes”, declarou.

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    Foto: Polícia Penal do Paraná

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    Foto: Polícia Penal do Paraná

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