Curso de jardinagem na PIMP-UP transforma rotina e cultiva novos caminhos dentro do cárcere 22/05/2026 - 11:43
Nos dias 20 e 21 de maio, a horta da Penitenciária Industrial Marcelo Pinheiro – Unidade de Progressão (PIMP-UP), em Cascavel, se tornou espaço de aprendizado e também de ressignificação. Por meio de uma parceria entre a Polícia Penal do Paraná (PPPR) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), dez pessoas privadas de liberdade (PPL) participaram do curso “Jardins Produtivos – Horta e Pomar”, unindo teoria e prática ao longo de dois dias de atividades.
Mais do que ensinar técnicas agrícolas, a iniciativa reforça a reintegração social, garantida pela Lei de Execução Penal (nº 7.210), oferecendo caminhos reais de reconstrução. Na horta da unidade, onde a terra já produz hortaliças, verduras e frutas consumidas diariamente, o conhecimento adquirido encontra aplicação imediata — criando um ciclo completo que vai do plantio à mesa.
Para o coordenador regional de Cascavel, Thiago Correia, iniciativas como essa representam um pilar essencial dentro do sistema prisional.
“As parcerias são fundamentais para garantir que a educação e a qualificação cheguem de forma efetiva às unidades. Todos os cursos são viabilizados por meio desses convênios com instituições parceiras, que tornam possível oferecer não apenas conhecimento técnico, mas também a oportunidade de recomeço, de reconstrução de histórias. É isso que buscamos: abrir portas para que essas pessoas tenham novas perspectivas de vida”, argumentou.
A formação integra uma sequência de capacitações já realizadas na unidade, funcionando como um complemento prático e evolutivo. A engenheira agrônoma e instrutora do Senar, Giane Fátima Dranka Mori, que já esteve outras vezes na PIMP-UP, destaca que cada retorno à unidade traz a percepção de avanço e comprometimento dos alunos.
“Nós trabalhamos com um curso que envolve hortas e pomares, abordando desde o preparo do solo até o manejo das plantas. É um conteúdo que se soma a outros módulos já apresentados em oportunidades anteriores. Além da teoria, o momento prático é essencial, porque permite que eles identifiquem questões como pragas, doenças e formas de manejo, entendendo o cuidado contínuo que a produção exige”, afirmou.
Dentro da lógica da unidade, o aprendizado não termina com o curso. Ele se estende no dia a dia, no contato constante com a terra. O diretor da PIMP-UP, Álvaro Marcelo Alegrette, ressalta que esse é um dos grandes diferenciais da iniciativa.
“Temos aqui um ambiente que favorece esse tipo de formação, porque a unidade já possui uma horta produtiva, com hortaliças, verduras e frutas que são consumidas internamente. O curso vai além da teoria: ele permite que os participantes continuem colocando em prática aquilo que aprenderam. Além disso, há a remição de pena, que é um incentivo importante. É um processo completo — eles aprendem, aplicam, produzem e consomem. Isso fortalece o senso de responsabilidade, de pertencimento e de utilidade”, contou.
Para quem participa, o impacto vai além do conhecimento técnico. Após mais de três anos de cárcere, uma das pessoas privadas de liberdade encontrou no curso uma oportunidade de reconexão: “Aprendi que tem que cuidar da planta desde pequena. Essas técnicas que a gente usa ajudam ela a se desenvolver melhor, como tirar o mato em volta pra não sufocar. A poda também ajuda ela a crescer mais rápido. Eu fiquei bem focado para aprender tudo, porque é uma oportunidade muito importante para meu desenvolvimento”, disse.
“Entre enxadas, mudas e ensinamentos, o que se planta ali vai além de alimentos. São sementes de autonomia, de dignidade e de futuro. Em um ambiente onde o tempo costuma ser marcado pela espera, iniciativas como essa mostram que também é possível cultivar movimento — e, principalmente, recomeços”, destacou o vice-diretor da unidade, Rafael Marcante.
















