Em Francisco Beltrão, materiais produzidos por apenadas inseridas no Projeto Fios da Liberdade são expostos em feira de artesanato 04/03/2026 - 17:11
Na sexta-feira (27), materiais confeccionados por mulheres que cumprem pena na Cadeia Pública de Dois Vizinhos foram expostos em uma feira de artesanato em Francisco Beltrão, no sudoeste do estado. O evento foi organizado pelo Departamento de Cultura e Secretaria de Indústria e Comércio do município, reunindo artesãos locais com produtos como crochê, pintura e outros.
Entre os destaques da feira estavam trabalhos manuais confeccionados por mulheres privadas de liberdade inseridas no Projeto Fios da Liberdade, realizado através da parceria entre a Polícia Penal do Paraná (PPPR) e a Associação de Proteção à Maternidade, Infância e Família (APMIF), uma entidade filantrópica com décadas de atuação na defesa de direitos sociais e apoio a pessoas em vulnerabilidade, em Francisco Beltrão. A exposição dos trabalhos das apenadas foi realizada no estande da APMIF.
O Fios da Liberdade é uma iniciativa solidária de ocupação do tempo ocioso do cárcere e que une capacitação profissional e impacto social, transformando a rotina dentro do sistema prisional. A iniciativa faz parte do conjunto de ações de reinserção social realizado pela PPPR e que conta, atualmente, com a participação de 14 custodiadas. O material é doado por uma fábrica de meias localizada em Dois Vizinhos, com vários anos de atuação, e é crucial para o desenvolvimento do projeto.
“Realizamos uma seleção das custodiadas que já tinham experiência com tricô ou crochê e elas passaram por um treinamento realizado pela APMIF. Este projeto tem sido muito importante para as apenadas, tanto na questão da remição de pena quanto pela ocupação do tempo ocioso”, explicou o chefe da Cadeia Pública de Dois Vizinhos, Marcelo Caio da Silva Fructuozo. “É muito importante essa utilização dos trabalhos feitos pelas apenadas em exposição direta para a sociedade, permitindo que as pessoas vejam que o trabalho de reinserção social está sendo feito e que após o cumprimento das penas essas mulheres poderão sair com uma profissão digna”, completou.
“Pensado para atender especialmente as mulheres, o Projeto Fios da Liberdade visa ensinar às participantes o artesanato, por meio do aproveitamento de materiais reciclados diversos, especialmente fios de tecido descartados por indústrias de confecção. De sobra industrial, os resíduos se tornam tapetes, toalhas e enfeites variados. Com muita paciência, técnica e agulhas de crochê, e tricô, as mulheres dão vida nova ao material que antes não seria aproveitado”, explicou a presidente da APMIF, Inês Fátima de Andrade Hellmann.
Os resultados alcançados pelo projeto permitem que a gestão da unidade penal projetem uma ampliação das atividades. “Já temos planos para expandir os trabalhos, aumentar o número de custodiadas inseridas no projeto e, consequentemente, a produção. Neste primeiro momento, selecionamos 14 apenadas para iniciar o projeto e ver na prática como seria a adequação e adaptação dentro da unidade. Pretendemos, em momento oportuno, elevar o número de mulheres inseridas neste projeto”, finalizou Fructuozo.







