Missa solene institui o serviço de Capelania da Polícia Penal do Paraná 18/06/2026 - 09:34
Nesta quarta-feira (17), uma missa solene realizada na Sede Administrativa da Polícia Penal do Paraná (PPPR), em Curitiba, oficializou a instituição da “Capelania da Polícia Penal do Paraná”. O novo serviço é focado no atendimento aos servidores da instituição e também aos seus familiares, com o objetivo de promover o cuidado espiritual e a assistência religiosa.
Por meio da disponibilização de um capelão, a iniciativa visa oferecer apoio moral e espiritual para os agentes em suas atividades cotidianas, sem o objetivo de conversão religiosa. Entre as principais ações propostas estão os atendimentos de escuta e aconselhamento individualizado, visitas hospitalares e domiciliares a servidores ou parentes enfermos, prestação de serviços religiosos em funerais e acompanhamento de famílias enlutadas. Além disso, a capelania prevê a realização de palestras e reflexões sobre o sentido da vida — respeitando os valores e princípios da PPPR —, visitas religiosas às unidades conforme as demandas específicas e a administração de sacramentos conforme a solicitação dos interessados.
Historicamente, o capelão é um ministro ordenado e autoridade eclesiástica encarregada de prover assistência espiritual em contextos específicos, como forças de segurança, regimentos militares, hospitais e presídios. A atividade junto às corporações contribui para a formação moral, ética e social de seus integrantes através do foco no indivíduo. Na esfera terapêutica, a espiritualidade atua como uma ferramenta para o equilíbrio psicossocial e o aumento da qualidade de vida, ajudando a resgatar o sentido da vida e a confiança. Dessa forma, o serviço de Capelania soma-se aos demais profissionais e programas que já cuidam dos membros da Polícia Penal, como a área de Saúde do Servidor.
Para a diretora-geral da Polícia Penal do Paraná, Ananda Chalegre, a iniciativa surge como uma importante ferramenta de apoio à saúde mental e espiritual. “O projeto tem como objetivo oferecer apoio espiritual a servidores e familiares, com foco no acolhimento e escuta individualizada. A iniciativa, oficializada em missa solene, soma-se aos programas de saúde do servidor para promover o equilíbrio emocional e a qualidade de vida. O objetivo não é a conversão religiosa, mas sim oferecer apoio e conforto respeitando a diversidade de crenças de quem busca esse tipo de ajuda”, afirmou.
O arcebispo metropolitano de Curitiba, Dom José Antônio Peruzzo, explicou a necessidade do serviço a partir da própria realidade enfrentada pelos policiais. “O trabalho policial é muito difícil, exigente e bastante exposto. Requer muita disciplina e paz interior para não errar em serviço. Há muita ansiedade, temor e riscos, e tudo isso gera uma inquietação psicológica que pode evoluir para uma inquietação espiritual. Quem está em paz e sereno difunde a serenidade e age com equilíbrio. Esse pedido para a prestação de serviço de capelania surgiu dos momentos de fala dos próprios policiais, que demandavam tempo para ser ouvidos e compreendidos, e por isso celebramos hoje o início destes trabalhos”, disse.
A integração entre os cuidados com a mente e o espírito foi apontada como um fator estratégico para a melhoria da qualidade de vida e redução de afastamentos na instituição, conforme destacou a coordenadora do Programa de Atenção à Saúde do Servidor da Polícia Penal (PASSPP), Tatiane Santana. “A criação da Capelania da Polícia Penal proporciona aos servidores mais acolhimento e direcionamento espiritual, com atividades desenvolvidas de forma voluntária por líderes religiosos. É fundamental que os servidores tenham consciência de que participar dessas ações e aceitar ajuda, inclusive preventiva, é de suma importância para o seu equilíbrio espiritual e emocional. Precisamos fortalecer a cultura do acolhimento empático entre os colegas e incentivar a busca pelos serviços que a Polícia Penal já disponibiliza, como o PASSPP e a própria Capelania. Dados da Perícia Médica do Estado mostram que o principal motivo de afastamento dos nossos policiais são os transtornos mentais e comportamentais. Cuidar da mente e do espírito é uma estratégia de sobrevivência e bem-estar”, detalhou a policial penal.
O envolvimento direto e o engajamento dos servidores marcaram o início oficial das atividades, gerando perspectivas positivas para o andamento do projeto. O capelão designado para a Polícia Penal do Paraná, Padre Leonardo Silveira, avaliou a celebração inicial e detalhou o papel da assistência ecumênica no ambiente de trabalho. “Após esta missa inicial, meu coração está bem feliz e esperançoso. A participação dos policiais penais foi muito boa, não só em termos de número, mas no sentido de abraçar a ideia da capelania. Tivemos policiais atuando como músicos, fazendo as leituras e servindo no ofertório. A presença da instituição foi grande e de qualidade, abrindo essa porta da melhor forma possível para trabalharmos juntos”, disse o sacerdote.
“Este atendimento é muito importante porque, quando pensamos no ser humano em suas múltiplas dimensões — física, emocional, social e espiritual —, se ele não estiver bem em uma delas, as outras ficam prejudicadas. O policial penal e seus familiares estão expostos a um ambiente que pode ser muito hostil. O servidor enfrenta batalhas externas em seu campo de trabalho e também internas para dar sentido a tudo aquilo que passa. A capelania vem para promover um oásis e funcionar como uma voz a lembrar que há esperança e sentido na vida, independentemente da situação”, complementou o Padre Leonardo Silveira.
Sobre os próximos passos práticos da implementação do serviço, o capelão informou como serão realizados os primeiros contatos organizacionais e os atendimentos aos servidores. “De início, faremos uma aproximação entre a Arquidiocese e a Polícia Penal do Paraná através do trabalho do capelão, que entenderá as demandas dos policiais e seus familiares para que possa ser criado um planejamento mais concreto para encontros e celebrações frequentes. Nesta aproximação inicial, estamos fazendo conversas individualizadas com os servidores que manifestarem o desejo de se expressar. Estes atendimentos poderão ser feitos na unidade em que o policial trabalha ou também na paróquia do Bairro Hugo Lange”, concluiu o Padre Leonardo Silveira.





















