PPPR e Unila lançam livro de projeto de extensão com participação de pessoas privadas de liberdade em Foz do Iguaçu 08/06/2026 - 14:56

Uma parceria de longa data entre a Polícia Penal do Paraná (PPPR) e a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) resultou, nesta terça-feira (2), no lançamento de mais uma obra literária produzida por pessoas privadas de liberdade (PPL). Os autores e autoras estão custodiados na Penitenciária Feminina de Foz do Iguaçu – Unidade de Progressão (PFF-UP) e na Penitenciária Estadual de Foz do Iguaçu III – Unidade de Progressão (PEF III-UP).

O evento realizado no anfiteatro da Unila marcou o lançamento da obra coletiva “O lugar mais leve”. O livro foi concretizado graças ao projeto de extensão “Direito à Poesia – Experiências Latino-Americanas de Mediação de Leitura com Pessoas em Privação de Liberdade”, promovido pela Pró-Reitoria de Extensão da universidade. Desde 2015, essa cooperação com a PPPR tem permitido experiências transformadoras por meio da literatura.

O projeto consiste na realização de oficinas de leitura e escrita criativa, além de capacitar mediadores dentro dos estabelecimentos penais de Foz do Iguaçu. Esta edição contou com a participação de 56 autores e autoras, consolidando-se como a segunda publicação do projeto — a primeira ocorreu em 2024, com a obra “Antologia 2022 – Direito à Poesia”.

Para garantir a representatividade dos escritores no evento, uma autorização judicial permitiu a presença de sete custodiadas da PFF-UP, onde as participantes integraram ativamente a cerimônia, compartilhando suas experiências e o processo de criação literária com o público presente. A iniciativa, que une segurança pública, educação e o fortalecimento de parcerias institucionais, busca trazer visibilidade ao talento e ao comprometimento das pessoas privadas de liberdade que, por meio das oficinas literárias, transformaram suas vivências em arte.

O deslocamento e a permanência delas no ambiente acadêmico foram viabilizados por meio de uma escolta humanizada, sob a coordenação operacional do Setor de Operações Táticas (SOT), unidade especializada em escoltas e movimentações táticas.

“Esta ação uniu segurança, sensibilidade e respeito aos direitos humanos. O Setor de Operações Táticas, de Foz do Iguaçu, deu um exemplo de excelência operacional ao aplicar, na prática, o conceito de escolta humanizada. O trabalho da equipe foi o grande diferencial e agregou um valor imenso ao evento de lançamento do livro ‘Direito à Poesia’. Sete mulheres privadas de liberdade participaram presencialmente do evento e o público sequer notou a presença do aparato policial de escolta, pois a equipe policial penal conduziu as participantes em uma viatura descaracterizada e todas as custodiadas usavam roupas civis. O grande mérito da equipe foi garantir a segurança absoluta de todos os convidados, sem expor a identidade ou a condição destas apenadas. Foi um procedimento executado com tamanha maestria que preservou a integridade física e psicológica das mulheres, garantindo a elas dignidade e acolhimento através do respeito”, destacou a diretora de Tratamento Penal da PPPR, Marilu Katia da Costa. “Com técnica, dedicação e sensibilidade é possível alinhar os protocolos de segurança pública para todos os diversos tipos de escolta”, completou.

Para o coordenador regional da PPPR em Foz do Iguaçu, Cássio Rodrigo Pompeo, o sucesso do projeto reforça a importância do trabalho entre as instituições. “Essa parceria com a Unila é a prova de que a segurança e a educação precisam caminhar juntas. Dar oportunidades de estudo e leitura dentro das unidades é o caminho mais seguro para ajudar essas pessoas a transformarem suas vidas. O lançamento deste livro mostra que o sistema prisional cumpre sua missão quando oferece caminhos reais para que os custodiados construam um futuro melhor no retorno a sociedade”, destacou.

A cerimônia reuniu diversas autoridades e parceiros, incluindo representantes da reitoria e dos Projetos de Extensão da universidade, do Poder Judiciário, membros do Conselho da Comunidade, do Centro Estadual de Educação Básica de Jovens e Adultos (Ceebja) Helena Kolody, do Patronato Penitenciário, além de servidores da regional administrativa da PPPR e da comunidade acadêmica.

Para a juíza de direito da Vara de Execuções Penais (VEP) de Foz do Iguaçu, Juliana Arantes Zanin Vieira, o evento demonstra o impacto da iniciativa nas unidades. “O evento é a comprovação do sucesso que o ‘Direito à Poesia’, há 11 anos presente no sistema penitenciário, alcança com a introdução do estudo, da poesia, como uma forma de transformação. Sem dúvida alguma, o lançamento desse livro, ‘O lugar mais leve’, é a comprovação de que a dedicação no sistema penitenciário mais humanizado, de respeito à dignidade e o restabelecimento e fortalecimento de vínculos e de concretização de sonhos futuros é a forma mais eficiente e eficaz de nós podermos fazer a execução da pena e estabelecermos uma sociedade melhor, mais segura, mais humana e mais empática”, enfatizou a magistrada.

A diretora da PFF-UP, Helena Maria Almeida Pasin, celebrou a importância do momento e o impacto direto na vida das participantes: “Essa parceria com a Unila foi uma das coisas mais bonitas e emocionantes que já realizamos. Ver as nossas meninas como coautoras do livro ‘Direito à Poesia’, e mais do que isso, poder levar cada uma delas para estar presente no lançamento, foi um marco inesquecível. Ali, segurando o próprio livro, elas deixaram de ser apenas custodiadas e ocuparam o lugar de escritoras, com suas vozes e histórias valorizadas pelo mundo fora dos muros. Esse projeto prova o que sempre acreditamos: a educação e a arte têm um poder gigantesco de transformar vidas, devolver a dignidade e mostrar que o recomeço é real e possível”, ressaltou.

Nesse mesmo contexto, o diretor da PEF III-UP, Stenio Couto do Nascimento, destacou como as oficinas mudaram a rotina das PPL e ajudaram no trabalho de recuperação: “Ver os nossos custodiados se dedicando à leitura e escrevendo suas próprias histórias por meio da poesia prova como essas unidades de progressão ajudam a transformar as pessoas. A publicação deste livro mostra um esforço conjunto que devolve a esperança de um futuro melhor para eles. Projetos assim, feitos em parceria com a Unila, provam que o sistema prisional faz o seu melhor papel quando junta a segurança com oportunidades reais para que os apenados mudem de vida no seu retorno a sociedade”, pontuou o diretor.

O coordenador de extensão na Pró-Reitoria, Rogério Motta Moreira, explica que esse evento consolida uma parceria de longo prazo e intensa com a PPPR. “O projeto trata do reconhecimento e do resgate das pessoas apenadas no sistema, visando incluir a poesia no horizonte delas, assim como a universidade pública. É uma ação muito estratégica porque traz a reflexão sobre a função social para dentro da universidade e leva um pedacinho da instituição para as penitenciárias, tanto com a literatura quanto com um olhar crítico sobre a realidade atual e futura”, disse.

Uma das custodiadas presentes finalizou relatando que o impacto vai muito além de estar em uma roda de conversa, ler ou citar poesias: “É mais do que isso. É um lugar que nos leva além, mas sempre expressando a realidade; um projeto com mentes abertas, inquietas, barulhentas e curiosas ao mesmo tempo. E aqueles que percebem isso, como eu, abraçam todas as oportunidades”, concluiu.

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    Foto: Polícia Penal do Paraná

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