PPPR e universidades promovem reflexão sobre desafios do cárcere e reintegração social em Francisco Beltrão 04/05/2026 - 16:01
A Polícia Penal do Paraná (PPPR) participou, nos dias 27 e 29 de abril, de dois encontros com acadêmicos de universidades de Francisco Beltrão, no Sudoeste do Estado, com o objetivo de debater os desafios e as realidades do sistema prisional paranaense. A iniciativa buscou aproximar a comunidade acadêmica, a sociedade e o sistema penitenciário por meio de palestras e rodas de conversa.
As atividades foram realizadas na Universidade Paranaense (Unipar) e na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), reunindo especialistas das áreas de Psicologia e Serviço Social da Penitenciária Estadual de Francisco Beltrão (PEFB). Os encontros proporcionaram aos estudantes uma visão técnica e humanizada sobre o tratamento penal e os desafios da reintegração social.
No encontro com alunos do curso de Psicologia da Unipar, o psicólogo Nestor Santos de Lucas conduziu uma roda de conversa com o tema “Sistema Prisional, Psicologia Social e Políticas Públicas”. Durante o encontro, foram abordados aspectos da atuação multidisciplinar no sistema penitenciário, com destaque para o acompanhamento psicológico e social das pessoas privadas de liberdade e a complexidade do trabalho com a saúde mental em ambientes de confinamento. “Pudemos falar um pouco sobre o trabalho dos setores técnicos da PPPR, especialmente o Setor de Psicologia, do nosso trabalho aqui na região sudoeste, como a aplicação técnica e como estamos juntos com o Setor de Segurança, como o nosso trabalho é visto dentro do sistema e como a gente consegue compor essa equipe e dialogar com os outros setores. Pudemos mostrar bastante da nossa experiência e tratar de detalhes aplicados da psicologia forense”, explicou.
A professora de Psicologia da Unipar de Francisco Beltrão, Jaini Blazius, destacou a importância da aproximação entre universidade e prática profissional. “Como profissional que também atua no cotidiano com pessoas privadas de liberdade, compreendo que a psicologia só se faz plena quando a teoria e a prática caminham juntas. E foi com essa convicção que convidei o psicólogo Nestor para uma roda de conversa com acadêmicos do segundo ano, que se refere ao terceiro período de psicologia da Unipar. Esses encontros transcendem a sala de aula e são fundamentais por diversos fatores. Para quem está no início da graduação, ter contato com um profissional tão essencial e detentor de um saber prático profundo é um divisor de águas. O Nestor não traz apenas relatos, ele traz uma realidade de trabalho técnico e ético, comprometido com uma prática social e que exige resiliência e ética, permitindo que os alunos visualizem como a psicologia funciona, como atua em contextos de alta complexidade. A presença de profissionais do sistema também dentro da universidade é uma via de mão dupla. As instituições prisionais se beneficiam também quando se aproximam da ciência, da pesquisa, abrindo portas para novas pesquisas, projetos de extensão e também desenvolvimento de políticas públicas que visem o aperfeiçoamento constante do trabalho na Polícia Penal. E discutir o sistema prisional sob o olhar de quem conhece por dentro acaba humanizando esse processo educativo, instiga nossos futuros psicólogos a pensarem em soluções críticas e transformadoras para a sociedade”, destacou.
Para os estudantes, a atividade representou uma oportunidade de compreender, na prática, o papel dos profissionais na garantia de direitos fundamentais e na preparação para o retorno ao convívio social.
Já no curso de Serviço Social da Unioeste, o debate teve como foco os vínculos familiares e os impactos do sistema prisional. Além das palestras ministradas por técnicas da unidade, o encontro contou com a participação de um policial penal, que apresentou a perspectiva operacional e de segurança da Penitenciária Estadual de Francisco Beltrão (PEFB).
“A iniciativa integrou as ações do Grupo de Estudos em Serviço Social da Unioeste e serviu como formação para os novos acadêmicos do Projeto de Extensão Tecendo Vínculos, desenvolvido em parceria com a PPPR através da Penitenciária Estadual de Francisco Beltrão. O objetivo do encontro foi promover uma discussão sobre o processo de criminalização da pobreza, o cárcere e seus impactos na vida das pessoas privadas de liberdade. Foram abordadas, ainda, as possibilidades de reintegração social oferecidas pelo sistema penitenciário e a atuação do assistente social nesse cenário”, destacou a assistente social Cláudia Kuhn.
Um dos destaques foi a apresentação do projeto “Tecendo Vínculos”, desenvolvido em parceria entre a PPPR e a universidade, com o objetivo de fortalecer o suporte às famílias de pessoas privadas de liberdade e contribuir para a humanização do atendimento no sistema prisional.
A acadêmica e integrante do projeto, Ana Lucia Oliveira, ressaltou a relevância da experiência para sua formação. “O encontro proporcionou um espaço de escuta, reflexão e aprendizado sobre uma realidade que, muitas vezes, conhecemos apenas de forma teórica. Durante a palestra, os mediadores trouxeram contribuições importantes ao articularem teoria e prática, apresentando vivências que ajudaram a compreender melhor os desafios presentes no sistema prisional e o papel do assistente social nesse contexto. Para além do conteúdo discutido, a atividade também teve um impacto importante na formação do Projeto Tecendo Vínculos, foi um momento essencial para aproximar os novos integrantes da realidade prisional, contribuindo para uma compreensão mais concreta e crítica desse campo de atuação. A experiência reforçou a importância de espaços como esse dentro da universidade, que possibilitam não apenas o aprofundamento teórico, mas também a construção de um olhar mais sensível e comprometido com a realidade social”, explicou.
A participação da Regional de Francisco Beltrão da PPPR reforça a política de transparência e educação institucional. Ao levar a realidade do sistema prisional para o ambiente acadêmico, a Polícia Penal do Paraná contribui para a formação de futuros profissionais mais preparados para atuar nas demandas do sistema penitenciário e na promoção da reintegração social.



















