PPPR recebe Senappen e Magistratura do Maranhão para visitas técnicas em unidades penais de Maringá 06/04/2026 - 16:05
A integração entre segurança, trabalho e educação no sistema prisional paranaense foi o tema central da visita técnica realizada na quarta-feira (1º), em Maringá. A Polícia Penal do Paraná (PPPR) abriu as portas da Colônia Penal Industrial de Maringá (CPIM) e da Penitenciária Estadual de Maringá (PEM) para uma comitiva da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), chefiada pelo diretor Sandro Abel Barradas e da magistratura do Maranhão, representada pela juíza Anelise Nogueira Reginato.
O encontro permitiu que os visitantes acompanhassem de perto como o Paraná equilibra a atenção necessária à custódia com projetos que preparam o indivíduo para o retorno à sociedade. Durante a agenda, o grupo percorreu as salas de aula, onde o aprendizado vai muito além do ensino básico. As unidades mantêm um ecossistema educativo forte, que inclui desde projetos de leitura livre e remição pela leitura até cursos profissionalizantes e preparatórios para o vestibular, culminando com custodiados que já frequentam cursos de graduação superior.
O grande destaque da agenda foi a robusta estrutura de laborterapia mantida na região. Atualmente, quase 500 pessoas privadas de liberdade (PPL) das duas unidades estão inseridas em atividades produtivas que funcionam sob diferentes modalidades: canteiros próprios da administração penitenciária e, principalmente, convênios firmados com entes públicos e empresas privadas. Esse modelo de parceria permite que a mão de obra prisional seja qualificada e absorvida pelo mercado, garantindo ao apenado a remição de pena — na qual cada três dias trabalhados subtraem um dia da condenação — e uma perspectiva real de geração de renda.
Na CPIM, unidade de regime semiaberto, a eficácia desses convênios se traduz em mobilidade e reintegração: muitos custodiados exercem o trabalho externo, atuando diretamente em empresas parceiras ou em serviços para órgãos públicos da cidade. O modelo reforça o papel da unidade como uma ponte para a liberdade plena. Mesmo na Penitenciária Estadual de Maringá, uma unidade de segurança máxima, o trabalho nos canteiros internos é um pilar de tratamento penal que mantém o ambiente seguro e focado na reabilitação.
Para o coordenador regional da PPPR em Maringá, Júlio César Vicente Franco, a visita é um reconhecimento ao trabalho técnico realizado pela equipe local. “É uma satisfação institucional poder apresentar resultados tão positivos. Esse intercâmbio fortalece a Polícia Penal do Paraná e demonstra que o foco na reintegração social, quando aliado a uma gestão eficiente, entrega benefícios diretos para a segurança pública e para a sociedade", destacou.
A eficiência do modelo paranaense também foi celebrada por Sandro Abel Barradas, diretor de políticas penitenciárias da Senappen. Ele enfatizou que a aplicação da ‘segurança dinâmica’ coloca o Paraná em um patamar avançado dentro do Programa Pena Justa. “Vemos aqui uma Polícia Penal forte que prioriza a humanização sem abrir mão da segurança, resultando em uma execução penal de excelência e alta empregabilidade”, afirmou.
Já a juíza do Maranhão, Anelise Reginato, destacou o engajamento da sociedade civil organizada como o ponto alto da experiência. Impressionada com a força das parcerias privadas em Maringá, a magistrada planeja adaptar o modelo à realidade maranhense. “Ao atrair o empresário para dentro do sistema, cria-se um ciclo onde todos ganham: o Estado pela eficiência, o setor privado pela redução de custos e a sociedade, que recebe de volta um cidadão transformado”, disse.
Atualmente, a regional da PPPR de Maringá administra 18 estabelecimentos penais, com mais de 800 pessoas privadas de liberdade inseridas em laborterapia. O sucesso desses projetos reitera o comprometimento institucional em transformar o sistema penitenciário em um espaço de produtividade, dignidade e efetiva reintegração social.

























