Polícia Penal do Paraná une segurança e educação no combate ao abuso infantil durante ação em escola de Cascavel 26/05/2026 - 16:07

No âmbito da mobilização nacional do Maio Laranja — campanha instituída pela Lei 12.590/2012 para combater o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes —, a Polícia Penal do Paraná (PPPR) iniciou nesta terça-feira (26) uma ação pedagógica e preventiva de grande relevância social no município de Cascavel. A iniciativa, promovida pelo Complexo Social da PPPR, tem como cenário a Escola Municipal Luiz Vianey Pereira, localizada no Bairro Universitário.

Ao todo, 100 alunos do 5º ano do Ensino Fundamental participam das atividades, que se estendem até a tarde desta quarta-feira (27). O local escolhido carrega um forte simbolismo de integração comunitária: com 650 alunos matriculados, a instituição é referência em diversidade e inclusão, abrigando cerca de 20% de estudantes estrangeiros e 70 alunos especiais, incluindo autistas e cadeirantes. Além disso, a escola mantém uma parceria recíproca com o Complexo Social ao receber prestadores de serviços à comunidade que cumprem penas alternativas.

Embora a atuação tradicional da Polícia Penal esteja diretamente ligada à gestão prisional, o órgão tem expandido suas fronteiras para atuar na prevenção primária de crimes dentro das comunidades.

De acordo com o diretor do Complexo Social de Cascavel, Sérgio Vicente da Silva, a inserção do projeto no ambiente escolar responde à necessidade estratégica de descentralizar as diretrizes da Operação Caminhos Seguros 2026, coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Silva aponta que, em muitos lares marcados pela vulnerabilidade, a figura policial acaba sendo estigmatizada devido ao histórico de intervenções repressivas. “Trouxemos esse projeto para o ambiente escolar devido à necessidade de dar ferramentas para que as crianças identifiquem o que é aceitável e o que não é, sabendo exatamente em quem confiar para buscar ajuda. Infelizmente, nos lares onde a violência se torna rotineira, as vítimas tendem a normalizar o sofrimento. Quando a Polícia Penal se faz presente fora do ambiente domiciliar com uma proposta orientadora, nós conseguimos romper esse ciclo, demonstrando que a instituição é parceira, acessível e focada na proteção delas”, disse.

Para a comunidade escolar, a chegada da operação coincide com um momento crítico de amadurecimento dos estudantes. A diretora da instituição, Cibelle Aparecida Faria, ressalta que o debate sobre o Maio Laranja é urgente e deve ultrapassar os muros da escola. “É um tema muito sensível, mas essencial para estarmos trabalhando com os alunos, principalmente os dos quintos anos, que estão saindo do Fundamental 1 e indo para o Fundamental 2. Eles viverão situações diferentes em novas escolas e precisam estar bem informados. Existe um trabalho de confiança muito grande dos alunos em relação aos professores, na qual eles têm sim a abertura para esclarecer dúvidas ou relatar abusos. É de extrema importância esse trabalho conjunto para sensibilizar também os pais nas reuniões, construindo uma rede de confiança mútua entre família, escola e polícia”, contou.

A condução técnica das palestras e dinâmicas ficou a cargo dos psicólogos residentes do Complexo Social de Cascavel, Letícia Debiazi e Oscar Antônio Frigotto da Silva. O grande desafio da equipe foi traduzir o tema em uma linguagem acessível e acolhedora para o público infantil. Para isso, os profissionais utilizaram ferramentas pedagógicas como a contação de histórias e o método do “Semáforo do Toque” — uma analogia que ensina visualmente as partes do corpo que não podem ser tocadas por terceiros. Os especialistas enfatizam que o foco da abordagem é desconstruir a ideia de que a criança é uma figura passiva, capacitando-a a decodificar as próprias emoções frente a situações desconfortáveis.

“Precisamos tratar de um tema sensível porque ele é vital para a proteção dessas crianças vulneráveis. O papel da psicologia aqui é trazer leveza por meio do lúdico e de histórias, sem que o conteúdo se torne pesado. Como os dados mostram que a maioria das violências ocorre dentro do próprio âmbito familiar, nós ensinamos que a confiança deve ser pautada nos sentimentos de segurança que o toque transmite, e não apenas no laço de parentesco”, explicou Letícia. “Se o toque causa vergonha ou agonia, a criança aprende a identificar o sinal de alerta e a buscar canais externos. É um dever nosso, como cidadãos, estarmos preparados para acolher esse relato e encaminhá-lo às autoridades competentes”, completou Oscar.

Para finalizar a atividade, os alunos ainda conheceram e puderam interagir com a Zaira, uma K9 da PPPR treinada para faro de entorpecentes.

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    Foto: Polícia Penal do Paraná

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