Polícia Penal e Senai certificam 16 apenados em curso de costura na Penitenciária Estadual de Maringá 31/03/2026 - 10:05
A Polícia Penal do Paraná (PPPR), em cooperação técnica com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), realizou na última semana a formatura da turma de Costureiro de Máquina Reta e Overloque na Penitenciária Estadual de Maringá (PEM). A iniciativa prioriza a formação intelectual e técnica, certificando 16 alunos para o setor têxtil.
Com uma carga horária de 160 horas, o curso ocorreu entre janeiro e março. Mais do que a produção física, o foco do programa foi o desenvolvimento de competências cognitivas e habilidades técnicas, permitindo que os apenados compreendessem desde a mecânica das máquinas até a logística de acabamento.
Para o coordenador regional da PPPR em Maringá, Júlio César Vicente Franco, o investimento em educação é a estratégia mais sólida para a segurança pública a longo prazo. “Nosso foco principal é a capacitação. Quando oferecemos educação de qualidade dentro da unidade, estamos entregando ao indivíduo uma nova identidade social. O estudo é o que permite ao custodiado visualizar uma vida fora do crime, fundamentada no conhecimento e na competência profissional”, explicou.
A escolha pela costura industrial é estratégica. A oficina da PEM já atua como um polo produtor de uniformes, e a especialização dos apenados permite que a unidade avance rumo à autossuficiência na produção de vestuário para o próprio sistema penitenciário e outras demandas.
O diretor da PEM, Rafael Alberto Kawanishi, reforça que o diploma do Senai é um divisor de águas na trajetória dos custodiados. “A profissionalização dentro do sistema penitenciário é o pilar mestre para a redução da reincidência. Ao concluir um curso desta magnitude, o aluno não recebe apenas um papel, mas uma oportunidade real de inserção digna. O conhecimento é um patrimônio que ninguém retira dele”, destacou.
As aulas seguiram o rigor pedagógico do Senai, garantindo que os alunos atingissem o padrão de excelência exigido pelas indústrias. Além do ganho intelectual, a dedicação aos estudos gera benefícios diretos na execução penal: conforme a Lei de Execução Penal (LEP), a cada 12 horas de frequência escolar, o aluno tem direito à remição de um dia de sua condenação.
A percepção de que o tempo de privação de liberdade pode ser um tempo de aprendizado acadêmico e técnico foi o ponto central do depoimento de um dos formandos: “Muitas vezes a gente entra aqui com a mente vazia, achando que o tempo é só espera. Mas esse curso mudou minha visão sobre o que posso ser. Aprender uma profissão com o suporte do Senai me deu um novo norte. Hoje eu entendo a técnica, entendo o processo e sei que tenho uma habilidade que o mercado valoriza. É a chance de mostrar para a minha família que usei esse tempo para estudar e me tornar um homem preparado para o mundo”, afirmou.











