Programa Mulheres Mil certifica 29 mulheres em cursos profissionais na Casa de Custódia de Ponta Grossa 19/05/2026 - 15:43
Uma cerimônia realizada nesta terça-feira (19) formalizou a entrega de certificados de qualificação profissional para 29 mulheres privadas de liberdade que cumprem pena na Casa de Custódia de Ponta Grossa (CCPG). A formação foi viabilizada pelo Programa Mulheres Mil, uma política pública do Ministério da Educação (MEC) estruturada para garantir o acesso à educação profissional e tecnológica, promovendo a inclusão social e a autonomia de mulheres em situação de vulnerabilidade.
As atividades ocorreram inteiramente no ambiente prisional, com a oferta dos cursos de maquiadora, salgadeira e confeccionadora de bijuterias. Alinhada às diretrizes do programa, a capacitação articulou o ensino técnico ao desenvolvimento de competências pessoais, proporcionando alternativas reais para a geração de renda, o empreendedorismo e a inserção no mundo do trabalho no momento do retorno à liberdade.
O coordenador regional da Polícia Penal do Paraná (PPPR) em Ponta Grossa, William Ribas, destacou a importância de assegurar o direito à qualificação profissional durante o cumprimento da pena como parte do processo de assistência previsto na legislação. “A oferta dessas formações cumpre o papel essencial de qualificar o tempo de reclusão com eixos de ensino estruturados. O esforço institucional visa garantir que o período no sistema prisional seja de aprendizado prático, oferecendo condições reais para que essas mulheres reconstruam suas trajetórias de forma digna ao retornarem ao convívio social”, explicou.
O diretor da Casa de Custódia de Ponta Grossa, Acir Portela, apontou o reflexo positivo das atividades de ensino na dinâmica do estabelecimento penal. “A realização dos cursos práticos mobilizou a unidade de forma muito positiva, estabelecendo uma rotina voltada ao aprendizado e à qualificação. A entrega dos certificados consolida o trabalho de toda a equipe técnica e operacional que atuou na viabilização e na organização do espaço prisional para que as aulas ocorressem de maneira produtiva e contínua”, destacou.
O suporte escolar para as turmas internas contou com o acompanhamento do Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos (Ceebja) Professor Odair Pasqualini. A diretora da instituição, Luzia Nenevê, ressaltou o significado do ensino técnico para o público atendido. “O papel do Ceebja é dar o suporte necessário ao processo de aprendizagem, garantindo que o ensino chegue com qualidade a esse público. Ver a conclusão dessas turmas reforça a relevância da educação básica e profissional na descoberta de novas aptidões, servindo como uma base sólida de cidadania para cada uma das participantes”, enfatizou.
A representante da Secretaria Estadual de Educação (SEED), Eliane Depetris, chamou a atenção para a necessidade de políticas públicas que considerem as especificidades de gênero e os contextos sociais que antecedem o ingresso no sistema prisional. “O Programa Mulheres Mil cumpre uma função que vai além do aprendizado técnico, pois atua diretamente no enfrentamento às desigualdades e às violências de gênero que marcam o histórico de muitas mulheres em vulnerabilidade. A capacitação profissional é um passo concreto para a autonomia e a emancipação econômica. Nosso objetivo na Secretaria de Educação é fortalecer as parcerias para ampliar o alcance do projeto no sistema penal”, explicou.
O Programa - Instituído para promover a equidade de gênero e a inclusão socioprofissional, o Programa Mulheres Mil foca na qualificação de mulheres que necessitam de amparo governamental para inserção no mercado de trabalho. No contexto do sistema penal, a iniciativa busca reduzir barreiras de exclusão por meio do acesso à educação profissionalizante, preparando as participantes para a autonomia financeira após a progressão de regime.





















