Projeto Despertar inicia 2026 com foco no combate ao estigma de egressos do sistema prisional em Francisco Beltrão 06/03/2026 - 16:38

O Projeto Despertar, desenvolvido por meio da parceria entre o Complexo Social da Polícia Penal do Paraná (PPPR) e a Secretaria Municipal de Assistência Social de Francisco Beltrão, iniciou o ano de 2026 com uma proposta reforçada de enfrentamento aos estigmas e estereótipos associados às pessoas egressas do sistema prisional.

Criada em 2025, a iniciativa passou por um processo de reorganização e reestruturação neste ano com o objetivo de aprimorar o atendimento ao público formado por egressos do sistema prisional paranaense, pessoas em monitoração eletrônica por meio de tornozeleira e indivíduos em situação de vulnerabilidade social.

O projeto busca fortalecer a rede de proteção social e ampliar os canais de escuta qualificada, promovendo atendimentos de forma integrada. A proposta reforça o cuidado e a construção coletiva de novas trajetórias de vida para as pessoas atendidas.

De acordo com a psicóloga do Complexo Social de Francisco Beltrão, Jaini Carolaine Blasius, os participantes são encaminhados por diferentes serviços da rede socioassistencial. “Para participar dos encontros, essas pessoas são encaminhadas pelo Complexo Social e pela Casa de Passagem de Francisco Beltrão. São egressos do sistema prisional, pessoas inseridas em canteiro de trabalho e indivíduos assistidos pela Casa de Passagem, que são convidados para participar desses encontros quinzenais, sempre às quartas-feiras. Durante os encontros, desenvolvemos dinâmicas e construímos coletivamente os próximos espaços e formatos das atividades”, explicou.

Segundo a profissional, há também a intenção de ampliar as experiências oferecidas aos participantes. “Temos planos para levar essas pessoas às universidades, despertando a curiosidade pelo estudo e pela formação superior, além de oferecer espaços de lazer e cultura, como teatro e cinema. Assim, o trabalho não fica restrito apenas aos encontros na sede do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas)”, destacou.

A psicóloga também ressaltou a importância das mudanças implementadas no projeto neste ano. “Esse projeto tem grande importância tanto para o Complexo Social quanto para a psicologia, porque cria um espaço de escuta, reflexão e fortalecimento de vínculos para pessoas em situação de vulnerabilidade, especialmente egressos do sistema prisional e indivíduos em monitoração eletrônica. A atuação conjunta da psicologia, do serviço social e do direito possibilita acolher histórias de vida muitas vezes marcadas pela exclusão e contribuir para a construção de novos sentidos e perspectivas de futuro”, afirmou.

Para ela, o projeto também tem um papel importante no resgate da cidadania. “Muitas vezes essas pessoas não se reconhecem como sujeitos de direitos e não imaginam as possibilidades que têm. O projeto existe justamente para despertar novos sonhos e perspectivas de vida”, completou.

Neste ano, dois encontros já foram realizados. O primeiro ocorreu em 11 de fevereiro, marcando a retomada das atividades no Creas. A atividade foi conduzida pelas psicólogas Jaini Carolaine Blasius e Deyse Caroline Pizato, ambas do Complexo Social de Francisco Beltrão, com apoio da equipe de Abordagem Social do município e da Casa de Passagem.

Na ocasião, 19 participantes — sendo 11 assistidos diretamente pelo Complexo Social — receberam orientações detalhadas sobre as políticas públicas de assistência social disponíveis no município. O encontro foi marcado por dinâmicas interativas e troca de experiências, incentivando reflexões sobre projetos de vida, planos e sonhos para o futuro.

O segundo encontro ocorreu no dia 25 de fevereiro e abordou o tema “Estigmas e Estereótipos”, promovendo uma discussão sobre os desafios enfrentados por pessoas egressas do sistema prisional e por indivíduos em situação de vulnerabilidade social. A atividade foi conduzida por profissionais da Abordagem Social do município em conjunto com a psicóloga Deyse Caroline Pizato.

Com a participação de 13 pessoas, o encontro trouxe reflexões sobre o preconceito social e as estratégias necessárias para enfrentar esse cenário, reforçando a importância da humanização no atendimento e da inclusão social.

Jaini também destacou o papel da atuação integrada entre os diferentes serviços públicos. “O trabalho em rede entre o Creas, o Complexo Social, a Casa de Passagem e a Abordagem Social é fundamental para garantir um atendimento mais completo e humanizado. Somente com a atuação integrada entre diferentes serviços é possível articular recursos, compartilhar responsabilidades com a sociedade e ampliar as possibilidades de cuidado”, afirmou.

Segundo ela, essa integração também contribui para reduzir a reincidência criminal e fortalecer a reinserção social. “O objetivo é evitar a reincidência e promover uma reintegração efetiva dessas pessoas à sociedade”, destacou.

Os encontros do Projeto Despertar serão realizados ao longo de todo o ano, com periodicidade quinzenal, sempre às quartas-feiras, das 9h às 11h, nas dependências do Creas, em Francisco Beltrão.

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    Foto: Polícia Penal do Paraná

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