Projeto Metamorfose fortalece atendimento humanizado a mulheres assistidas pelo Complexo Social em Umuarama 12/03/2026 - 16:20
A Polícia Penal do Paraná (PPPR), por meio do Complexo Social de Umuarama, na região noroeste do estado, desenvolve o Projeto Metamorfose, uma iniciativa voltada ao atendimento humanizado e ao fortalecimento de vínculos sociais de mulheres assistidas por diferentes políticas penais no município. A ação é realizada em parceria com a Universidade Paranaense (Unipar) e reúne atividades educativas, reflexivas e de apoio social.
O projeto promove encontros com mulheres atendidas pelo Núcleo de Atenção a Pessoas Monitoradas (Nupem); pelo Patronato, através do público feminino em cumprimento do regime aberto; pelo Escritório Social (ES), para egressas do sistema prisional; e pela Central Integrada de Alternativas Penais (Ciap), que reúne prestadoras de serviço à comunidade. As atividades também foram estendidas a integrantes do núcleo familiar e da rede de apoio de pessoas sentenciadas, com atenção especial a mulheres vítimas de violência, buscando contribuir para a superação de situações de vulnerabilidade e promover a emancipação pessoal e social das participantes.
O projeto teve início em 2020, em Cruzeiro do Oeste, registrando resultados expressivos até 2024. No decorrer de 2025, a cooperação com a Unipar, foi fortalecida mediante a realização de seis encontros quinzenais, entre os meses de agosto e outubro, além do suporte técnico da Regional Administrativa da PPPR de Umuarama, conduzida pela equipe técnica do Complexo Social local. Em março de 2026, as atividades foram retomadas no município de Umuarama, priorizando atualmente a ampliação da rede de parcerias para potencializar a ressocialização dos assistidos.
Os encontros presenciais são conduzidos com uma abordagem construtiva voltada à realidade feminina e contam com palestras, rodas de conversa e oficinas práticas. Para fortalecer o vínculo entre a equipe e as participantes, também é mantido contato permanente por meio de um grupo de WhatsApp.
Durante as atividades realizadas no ano passado, o projeto abordou temas relacionados a campanhas de conscientização amplamente difundidas na sociedade, como o Agosto Lilás, dedicado ao combate à violência contra a mulher; o Setembro Amarelo, voltado à prevenção do suicídio; e o Outubro Rosa, que incentiva a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama.
As rodas de conversa são conduzidas pela equipe do Complexo Social da PPPR, com o intuito de promover acolhimento, escuta qualificada e acompanhamento especializado às participantes. Já as oficinas práticas ocorrem em parceria com a Unipar, contando com o apoio de acadêmicos de psicologia sob a coordenação de Bárbara Cossettin Costa Beber Brunini, responsável pelo Programa Institucional de Experiência e Sucesso do Aluno (PIESA). A iniciativa destaca-se pelo caráter multidisciplinar, integrando também outras áreas da saúde, como Biomedicina, Estética, Enfermagem, Nutrição, Odontologia e Farmácia.
Entre os principais objetivos dos encontros estão a discussão de temas relacionados ao autoconhecimento, ao desenvolvimento pessoal e ao empoderamento feminino diante das desigualdades de gênero e dos diferentes fatores que atravessam as vivências das mulheres na sociedade. As atividades também abordam aspectos da saúde integral da mulher — considerando dimensões físicas, emocionais e sociais — e promovem reflexões sobre os direitos de proteção garantidos pela Lei Maria da Penha e os mecanismos de enfrentamento à violência.
Além disso, o projeto possibilita encaminhamentos para a rede de serviços públicos, como assistência social, saúde e segurança pública, de acordo com as necessidades identificadas durante o acompanhamento.
Para as atividades de 2026, a equipe será composta por residentes técnicos bacharéis das áreas de Psicologia, Direito, Serviço Social e Pedagogia, vinculados ao Programa de Residência Técnica e Pós-Graduação Lato Sensu em Gestão de Segurança Pública da Universidade Estadual do Paraná (Unespar). Também participam extensionistas em formação nas áreas de Serviço Social e Psicologia ligados ao projeto de extensão “Núcleo de Atendimento às Pessoas com Monitoração Eletrônica”, desenvolvido pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).
O trabalho busca gerar impactos positivos na vida das participantes e promover o fortalecimento da autonomia, da autoestima e das relações familiares, favorecendo o processo de reintegração social.
Segundo a assistente social e coordenadora do Complexo Social de Umuarama, Gisely Medina, a iniciativa representa a união entre o conhecimento acadêmico e a atuação institucional voltada à segurança pública com foco social. “O projeto possui a integração entre o ensino universitário e o Complexo Social de Umuarama, utilizando residentes técnicos e extensionistas para modernizar a segurança pública com uma visão humanizada e intersetorial. Nesse cenário, a parceria com a Unipar é estratégica, pois conecta o conhecimento acadêmico à prática social, capacitando futuros profissionais e mobilizando a rede de assistência local. Essa união entre Estado e universidade permite um olhar específico para a feminização da assistência, atendendo às demandas particulares dessas mulheres e promovendo o fortalecimento de seus vínculos familiares e sua efetiva reintegração à sociedade”, explicou.
“Após a faculdade, a residência no Complexo Social de Umuarama tem me permitido vivenciar o 'Direito em movimento'. Aprendi que a verdadeira reintegração social exige humanização, escuta ativa de dores, medos e sonhos, e acolhimento. Diante da profunda vulnerabilidade social, do preconceito, da misoginia, da estigmatização das custodiadas e do frequente rompimento dos vínculos familiares, atuar para conscientizar e proteger a autonomia e a dignidade dessas mulheres é vital. Por meio deste projeto, o Complexo Social tem semeado a transformação social e a efetivação de direitos fundamentais muitas vezes invisibilizados. É um privilégio contribuir para que essa mudança se consolide gradualmente”, destacou a bacharela em Direito, Residência Técnica do Complexo Social de Umuarama, Jennifer Candido de Rezende.













































