Projeto de artes inspirado em “Vidas Secas” promove reflexão e reintegração social em penitenciária de Foz do Iguaçu 06/11/2026 - 14:33
A Polícia Penal do Paraná (PPPR), por meio da Penitenciária Estadual de Foz do Iguaçu III – Unidade de Progressão (PEF III-UP), promoveu nesta quinta-feira (5) a apresentação do Projeto de Artes baseado na emblemática obra “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos. Desenvolvido em parceria com o Centro Estadual de Educação Básica de Jovens e Adultos (Ceebja) Helena Kolody, o projeto utiliza o clássico literário para retratar a aridez do sertão e as adversidades da vida, estabelecendo um paralelo com a resiliência e a busca constante por dignidade humana.
Ao todo, oito pessoas privadas de liberdade (PPL) participaram ativamente da produção das obras, compartilhando reflexões e conhecimentos adquiridos ao longo das atividades. Durante a solenidade, quatro dos participantes realizaram a leitura de textos inspirados na obra. Na sequência, os convidados puderam prestigiar as telas produzidas pelos custodiados expostas nas salas de aula da unidade.
Com o objetivo de fomentar o pensamento crítico e a expressão individual, a iniciativa simboliza uma importante oportunidade de recomeço para os participantes, que utilizam a arte e a literatura como instrumentos essenciais para a reflexão, a reintegração social e a reconstrução de suas trajetórias.
Para o coordenador regional da PPPR em Foz do Iguaçu, Cássio Rodrigo Pompeo, o projeto consolida a visão de que a efetiva reinserção ao meio social depende de ferramentas que resgatem a cidadania. “A verdadeira eficácia do sistema prisional não se mede apenas pela manutenção da ordem, mas sim pela capacidade de devolver o indivíduo recuperado à sociedade. Iniciativas como essa, em parceria com o Ceebja, demonstram que a reintegração social se constrói na prática, por meio da educação e do desenvolvimento humano. Ao estimular o pensamento crítico e a expressão artística, oferecemos subsídios reais para que essas pessoas reescrevam suas trajetórias com dignidade, reduzindo a reincidência e contribuindo para uma sociedade mais segura”, pontuou.
O responsável pela execução desse projeto foi o professor Pedro Reis, que também é professor de alfabetização e responsável pelo projeto Remição pela Leitura dentro da parceria entre o Ceebja Helena Kolody e a PEF III-UP. “Nós fizemos a seleção entre duas obras e optamos por Vidas Secas, pelo estilo, do sertanejo, do sol, da seca e do sofrimento. Selecionamos, junto com a equipe de segurança, os alunos que poderiam participar desse projeto, e então eles fizeram a leitura do livro. Após discutirmos o tema, passamos o filme para eles. Pedimos que não tirassem as referências de imagens prontas, mas sim da cabeça deles. Foi de onde saiu a criatividade individual: primeiro em um projeto de rascunho e, desse rascunho, passou para as telas. Já é o terceiro ano que a gente trabalha com esse tipo de projeto e saíram essas obras maravilhosas, um total de oito quadros que vão servir de acervo para a galeria da unidade”, explicou.
O diretor da unidade prisional, Stenio Couto do Nascimento, destaca a importância da parceria com o Ceebja Helena Kolody e a diferença que ela faz no dia a dia para a ressocialização dos apenados. “Nessa parceria, o principal destaque é o projeto Remissão pela Leitura, no qual a leitura de um livro diminui quatro dias de pena após a apresentação de um relatório. Nosso foco principal é trabalhar na reinserção dessas PPL à sociedade, e tudo começa através da educação; sem ela, não conseguimos nada. O nosso papel hoje é justamente este: dar a eles a oportunidade de se tornarem pessoas melhores no retorno à sociedade”, disse.
O evento de apresentação contou com a presença de representantes do Conselho da Comunidade, do Ceebja Helena Kolody, de docentes e acadêmicos do curso de Direito do Centro de Ensino Superior de Foz do Iguaçu (Cesufoz), além dos servidores e colaboradores.
Um dos apenados participantes falou sobre a arte produzida: “A minha arte foi feita na modalidade negativo, usando a menor quantidade possível de material e assim podendo contribuir com a preservação do meio ambiente. O tema escolhido é a obra de Graciliano Ramos que traduz o sofrimento e a miséria vivida pelo povo do sertão nordestino, trazendo assim a triste realidade daquela região”, concluiu.























