Trabalho prisional: parceria entre Polícia Penal e Grupo Eternit gera oportunidades de qualificação e reinserção social 30/06/2026 - 14:19

A Polícia Penal do Paraná (PPPR) ampliou mais uma oportunidade de trabalho para pessoas privadas de liberdade (PPL) por meio de uma parceria firmada com o Grupo Eternit. Desenvolvido pelo Programa Reconstruir, o projeto foi implantado na Cadeia Pública de Colombo após a assinatura de um termo de cooperação, em 29 de maio deste ano. As atividades tiveram início no dia 1º de junho.

Atualmente, 16 custodiados atuam na fabricação de cumeeiras e acessórios de fibrocimento. O trabalho é realizado no setor de produção da empresa, onde os participantes fazem a moldagem manual das lastras de fibrocimento, seguindo os modelos e as ordens de produção. O processo conta com equipamentos como prensas para esquadrejar as peças e carrinhos para movimentação do material, enquanto parte da produção é executada manualmente.

As matérias-primas utilizadas são cimento, calcário, celulose e polipropileno (PP). O polipropileno é produzido na unidade da Eternit em Manaus, enquanto os demais insumos são fornecidos por parceiros nacionais.

A expectativa é ampliar gradativamente o número de participantes. Hoje, o projeto conta com 16 apenados trabalhadores, mas a previsão é chegar a 32 no próximo mês e, futuramente, atingir 50 vagas. A capacidade de produção é de oito toneladas por dia, totalizando cerca de 160 toneladas por mês. Todo o material produzido na unidade de Colombo abastece as demais fábricas de fibrocimento do Grupo Eternit e, posteriormente, é distribuído para diferentes regiões do país.

Para o chefe da Divisão de Produção e Desenvolvimento da Polícia Penal do Paraná, Boanerges Silvestre Boeno Filho, a localização estratégica da unidade e a possibilidade de expandir o projeto para outras regiões do Estado foram essenciais para o acordo. “A escolha da Cadeia Pública de Colombo levou em consideração a excelente logística da região e o objetivo de descentralizar as oportunidades, abrindo caminho para que, futuramente, o trabalho possa ser oportunizado para outros estabelecimentos penais”, destacou.

Além da remuneração, os participantes têm direito à remição da pena, conforme previsto na Lei de Execução Penal. A cada três dias de trabalho, um dia é descontado da pena.

Segundo Boanerges, a iniciativa oferece qualificação profissional e prepara os participantes para o retorno ao mercado de trabalho após o cumprimento da pena. “Na prática, a Eternit está preparando essas pessoas para o retorno ao mercado de trabalho, garantindo que voltem muito mais qualificadas e com chances reais de serem aproveitadas e integradas definitivamente ao quadro de colaboradores da própria empresa”, afirmou.

O chefe da Divisão de Produção e Desenvolvimento da PPPR destaca ainda que o trabalho prisional produz reflexos que vão além da capacitação profissional. “Mais do que o aprendizado técnico e a produção industrial, o verdadeiro valor desse trabalho está na transformação humana. Ao receberem uma oportunidade real dentro da fábrica, as pessoas privadas de liberdade resgatam a autoestima, passando a se enxergar novamente como cidadãos produtivos e capazes de construir um novo futuro”, enfatizou.

Os benefícios também alcançam as famílias dos participantes. “Esse impacto positivo ultrapassa os muros da unidade e chega diretamente aos lares. Os vínculos familiares são fortalecidos e restaurados, pois a família passa a ter um novo olhar sobre a PPL. Ver que o seu familiar está trabalhando, aprendendo e buscando meios legítimos para mudar de vida traz uma nova perspectiva de futuro, baseada no orgulho e na esperança”, ressaltou Boanerges.

O gestor da Cadeia Pública de Colombo, Ubirajara Cordeiro de Mattos, destaca que a parceria também tem refletido positivamente na rotina da unidade e no desenvolvimento das PPL. “Receber o Programa Reconstruir na Cadeia Pública de Colombo representa um avanço importante para a unidade. O trabalho prisional proporciona uma rotina mais produtiva às pessoas privadas de liberdade, desenvolve habilidades profissionais e fortalece o processo de reintegração social. Acompanhamos diariamente o comprometimento dos participantes e percebemos como essa oportunidade contribui para o desenvolvimento da responsabilidade, da disciplina e da preparação para o retorno ao convívio social. É uma parceria que beneficia a unidade, os apenados e toda a sociedade, ao investir em qualificação e criar novas perspectivas para o futuro”, explicou.

A parceria integra a política de trabalho prisional desenvolvida pela Polícia Penal do Paraná, que busca ampliar oportunidades de qualificação profissional, geração de renda e reinserção social por meio de convênios com instituições públicas e privadas.

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    Foto: Gabrielli Caetano/PPPR

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    Foto: Gabrielli Caetano/PPPR

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