Trabalhos artísticos de custodiados da Penitenciária Estadual de Francisco Beltrão são expostos em semana acadêmica da Unipar 22/05/2026 - 14:53
A Penitenciária Estadual de Francisco Beltrão (PEFB) participou da IV Mostra Criativa de Psicologia e Direitos Humanos, evento que integra a semana acadêmica do curso de Psicologia da Universidade Paranaense (UNIPAR), na quarta-feira (20). Com a exposição de trabalhos artísticos desenvolvidos por pessoas privadas de liberdade (PPL) custodiadas na unidade, a iniciativa foi realizada em parceria com o CEEBJA Novos Horizontes, a Vara de Execuções Penais e o Conselho da Comunidade.
“Momentos como este consolidam e estreitam, cada vez mais, a ponte necessária entre a Polícia Penal (PPPR), o ambiente universitário e a sociedade de Francisco Beltrão. Ao ampliar os espaços de diálogo e sensibilização, o evento contribui diretamente para a construção de novos olhares e perspectivas de futuro para a população carcerária”, destacou o coordenador regional da PPPR em Francisco Beltrão, Marcos Andrade.
No evento, o público pôde conferir a exposição “Professora Nair Salmoria dos Santos”, apresentada por integrantes do projeto de extensão universitária “(Re)Tornar: Construindo sentidos para a liberdade”, que desenvolve atendimentos psicológicos individualizados aos apenados, com foco no enfrentamento à reincidência criminal. A mostra contou com produções artísticas desenvolvidas no contexto de privação de liberdade, promovendo reflexões sobre educação, reintegração social e direitos humanos.
Também foi apresentada a exposição do “Projeto Ressignificar de Justiça Restaurativa – Justiça Restaurativa em Movimento”. A iniciativa, que é desenvolvida no sistema de execução penal da comarca de Francisco Beltrão, com o apoio do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJPR) e da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), objetiva a reintegração social e o fortalecimento de vínculos por meio de práticas restaurativas.
Para a psicóloga do Conselho da Comunidade, Vanessa Nunes dos Santos, “trabalhar com expressões artísticas nesse contexto representa um processo humanizado e coletivo, fortalecendo o entendimento sobre a reintegração social por meio da arte, da cultura e da educação”.
Já a diretora do CEEBJA Novos Horizontes, Karen Oro Niehues, enfatizou o impacto das ações externas no processo pedagógico prisional: “A participação em momentos como a mostra criativa promovida pela UNIPAR fortalece a compreensão de que a educação transforma vidas, rompe estigmas e aproxima a comunidade das práticas realizadas pela escola. Levar para a sociedade os trabalhos desenvolvidos no contexto escolar é dar visibilidade às aprendizagens, às histórias e aos potenciais construídos no cotidiano educacional”.
A diretora completou afirmando que a iniciativa “evidencia que a escolarização no âmbito prisional exerce papel fundamental na ressocialização, ao possibilitar novos caminhos, acesso a oportunidades antes muitas vezes negadas e a reconstrução de projetos de vida pautados na dignidade, no conhecimento e na esperança”.
Segundo a estudante do 5º semestre de Psicologia e voluntária do Projeto (Re)Tornar, Iasmin Fideli de Paula, o objetivo da mostra é demonstrar à comunidade acadêmica e à sociedade o potencial transformador da educação no sistema prisional.
“O papel da educação é transformador para quem está privado de liberdade, possibilitando reinserir esta pessoa de maneira melhor na sociedade”, afirmou.










